A três dias estava em minha casa quando meu celular tocou. Ao olha-lo, não reconheci o número, atendi com a voz séria como de costume com pessoas desconhecidas:
-Alô?
-É a Luciana?
-É sim!
-Tu sabe quem tá falando?
-Não!
-É a Mirza menina!
-Meu Deus, como tu ta criatura? quanto tempo!
-Bem que eu sabia que tu não tinha ideia de quem é! Estranhei esse jeito formal de falar comigo!
É, é verdade, nossa amizade de 11 anos não permitiria qualquer tipo de formalidade. Há alguns meses não nos víamos, e naquele dia, ela me chamava para irmos a praia comer carangueijo acompanhadas de mais uma grande amiga da mesma época, Juliana.
Fomos à combinada praia e, conversamos, brincamos e Mirza informou que gostaria que soubéssemos que íamos "perdê-la" para o matrimônio. Mesmo gostando bastante de Fabrício, o noivo que deu o ar de sua graça entre um choop e outro, não acreditei quando ouvi aquilo. Imediatamente como um flash diante de meus olhos, voltei 11 anos no tempo. Exatamente para a sala de aula da escola CEI, no interior do Maranhão, na pacata e aconchegante cidade de Presidente Dutra, onde estudamos juntas todas as séries do Ensino Fundamental, época em que o compromisso mais sério que era a temida prova de História e o debate de Análise Sintática nas aulas de Português. Lembrei-me de que durante a fase de namoricos, paqueras e beijinhos, inventamos uma brincadeira só nossa, que se chamava efeito dominó. Ela significava que, quando uma de nós desse o primeiro beijo, todas as outras amigas beijariam, uma seguida da outra, como em um efeito dominó. Era divertidíssimo ficar aguardando a próxima pedra cair, mais ainda era descobrir as pedrinhas fujonas que já haviam beijado há muito tempo e escondiam. Nossa cumplicidade com relação aos infinitos e e sofridos assuntos do coração era gigante. Minha observação exatamente relacionada a esse assunto é pelo fato de que a uma década atrás sofríamos como atrizes de novela mexicana por "amores" ( infinitas aspas) que julgávamos únicos. Seguimos nossas vidas usando estes tipos de barreiras ( barreiras porque tudo é uma muralha para quem têm apenas 13 anos) como tijolos para construir , neste caso, um muro de seleções. Hoje, com a experiência que não tinha há alguns anos, afirmo que nenhum dos falsos príncipes teria condição suficiente para ser eterno. E ontem o que seria motivo de lágrimas e porres sem motivo, é engraçado e chega até a ser constrangedor.
Voltei então do meu flashback e me vi sentada naquela mesa ouvindo e dando palpites sobre cerimônia, buquê e vestido. Imaginei, que a velha brincadeira do dominó se encaixaria naquele momento. É certo que depois do casamento de Mirza, quem pegar o buquê provavelmente será a próxima pedra do dominó a cair. Aguardem, pois diferente das confusões da época de adolescente essa disputa sim, promete cenas inesquecíveis!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
De pílula em pílula num desenho mágico
Quem me conhece sabe que "sofri" quatro anos em salas de cursinho até desviar o curso do meu rio para a Universidade Estatual do Maranhão. Fui aprovada no curso de Medicina Veterinária e frequentei alguns dias o mesmo. Não conseguia chegar na sala de aula e me deparar com grupos e panelinhas que excluíam, não só a mim, como todos que chegaram um pouco depois. Resolvi que não aguentaria passar cinco anos em tal convivência . Abandonei a UEMA e continuei a difícil vida de pré-vestibular. Até que o ENEM me deu uma surpresa, minha aprovação para o curso de Farmácia.
Ao chegar na Universidade me deparei com aquela turma um tanto, diferente. Com o tempo aparecem divergências naturais, e isso deve ser entendido, já que as mesmas são necessárias. Porém as particularidades se aproximavam cada vez mais. Dês da época maravilhosa que vivi em Presidente Dutra, não faço tantos bons amigos. Cada um com sua característica pessoal formando, de pílula em pílula um desenho mágico. Não só pelas melhores festas, provas compartilhadas, e pelas inúmeras filas enfrentadas no Restaurante Universitário, mas sim pelos sorrisos sinceros, as brincadeiras nunca mal-interpretadas e o respeito que nos envolve. Por mais que a natureza trate de separar cada um com sua legítima afinidade , todos ocupam de alguma forma um lugar especial na minha vida. Provavelmente nem todos estaremos até o final dessa jornada. Mas lembrarei destes momentos. Elas, as lembranças, são o que vão me acompanhar pro resto de minha vida. Só tenho a agradecer, pois graças a estes presentes de Deus aprendi que Brejo de Areia existe, que Itaitúba é um lugar no Pará, que sempre cabe mais dez em um carro, que nunca é tarde pra fazer uma festa, que sempre tem 10 centavos em baixo do banco, que se lancha no super mercado e se joga a embalagem fora, que não se enfrenta fila do R.U., que sempre estamos na aula por mais que não estejamos, que se o nosso namorado desligar o telefone sem "mandar beijo" ele ta muito zangado, que as namoradas ainda mandam em muitos homens, que o Harry Potter continua TOSCO, que os evangélicos são muito legais,e que alegria e amizade é o que levamos da vida.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Uma Maria em minha vida.
Em minha casa sou a irmã e filha mais velha. Sempre fui um pouco mãe de meus irmãos, eles não me obedeciam, mas eu até que tentava. Imaginem o que é você receber a notícia que sua irmã caçula (leia-se seis anos mais nova) está gravida. Isso mesmo, foi um choque. Não só para mim, mas para todos em minha casa e em minha família. Imaginar que a algum tempo brincavamos juntas em Presidente Dutra, cidade do interior onde moramos, eu não queria, mas ela sempre estava lá. Sempre vinha correndo balançando os cacheados e bonitos cabelos indomáveis logo depois que meu pai dizia a simples e desanimadora frase: -Você só vai se levar sua irmã.
Saber que a única criança em minha casa iria dar a luz a outra me desafiou a entender porquê as coisas acontecem em nossa vida. Do auge da notícia até o nascimento da bebê, fui a mais dura e fria com ela. Não conseguia e nem consigo ser nem a metade do que minha amada mãe , paciente. Eu não poderia entender onde meus pais haviam errado. Sim, pensei que tivessem errado já que somos três irmãos e ela é a mais diferente de todos. Porém, mais uma vez , me enganei. No dia 10 de março de 2010, entrou na minha vida uma Maria.
Sei que não é nem de perto a criança mais bonita que já viram. E acreditem, ela melhorou um pouco. Maria Eduarda, tão pequena, conseguiu iluminar e virar nossa casa de ponta cabeça. Nos transformou, cada um de nós, em pessoas melhores. Meu pai se levanta de manhã para comprar uma piscina de bolinha se perceber que ela vai gostar disso. Minha mãe, já chora só de imaginar viajar sem ela. Meu irmão, que nunca ví nem se quer tocar em uma criança, a segura nos bracinhos e a coloca em frente ao espelho para a sua brincadeira favorita, ver a "gêmea". Pepê, nossa cachorrinha mais nova aprendeu a separar seus brinquedos dos de Maria , Piná, a cachorra mais velha cedeu toda a sua atenção com paciência até mesmo para aguentar longos puxões de orelha. E eu, nem preciso descrever o que aprendi. Além de dividir o coração e a atenção de meu pai que muitos ,duvidam mais era única a exclusivamente pra mim, aprendi que Deus faz hoje, entendemos amanhã. Tivemos nossos altos e baixos. Parentes se metendo no que não eram chamados, conhecidos que se afastaram e amigos que se aproximaram. Para quem poderia achar que a pequena Mariazinha iria separar nossa família, se enganou. Estamos mais fortes que nunca. Só que agora, com um Power Ranger a mais.
Saber que a única criança em minha casa iria dar a luz a outra me desafiou a entender porquê as coisas acontecem em nossa vida. Do auge da notícia até o nascimento da bebê, fui a mais dura e fria com ela. Não conseguia e nem consigo ser nem a metade do que minha amada mãe , paciente. Eu não poderia entender onde meus pais haviam errado. Sim, pensei que tivessem errado já que somos três irmãos e ela é a mais diferente de todos. Porém, mais uma vez , me enganei. No dia 10 de março de 2010, entrou na minha vida uma Maria.
Sei que não é nem de perto a criança mais bonita que já viram. E acreditem, ela melhorou um pouco. Maria Eduarda, tão pequena, conseguiu iluminar e virar nossa casa de ponta cabeça. Nos transformou, cada um de nós, em pessoas melhores. Meu pai se levanta de manhã para comprar uma piscina de bolinha se perceber que ela vai gostar disso. Minha mãe, já chora só de imaginar viajar sem ela. Meu irmão, que nunca ví nem se quer tocar em uma criança, a segura nos bracinhos e a coloca em frente ao espelho para a sua brincadeira favorita, ver a "gêmea". Pepê, nossa cachorrinha mais nova aprendeu a separar seus brinquedos dos de Maria , Piná, a cachorra mais velha cedeu toda a sua atenção com paciência até mesmo para aguentar longos puxões de orelha. E eu, nem preciso descrever o que aprendi. Além de dividir o coração e a atenção de meu pai que muitos ,duvidam mais era única a exclusivamente pra mim, aprendi que Deus faz hoje, entendemos amanhã. Tivemos nossos altos e baixos. Parentes se metendo no que não eram chamados, conhecidos que se afastaram e amigos que se aproximaram. Para quem poderia achar que a pequena Mariazinha iria separar nossa família, se enganou. Estamos mais fortes que nunca. Só que agora, com um Power Ranger a mais.
domingo, 17 de outubro de 2010
Coisas de Luciana
Bem, iniciando nessa vida de blogueira graças a inspiração do meu irmão do meio e não menos importante. Aqui vou contar, argumentar e declarar muitas das peripécias vividas na minha vida e na vida de pessoas que amo, ou não. Coisas de Luciana.
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