sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Efeito dominó

A três dias estava em minha casa quando meu celular tocou. Ao olha-lo, não reconheci o número, atendi com a voz séria como de costume com pessoas desconhecidas:
-Alô?
-É a Luciana?
-É sim!
-Tu sabe quem tá falando?
-Não!
-É a Mirza menina!
-Meu Deus, como tu ta criatura? quanto tempo!
-Bem que eu sabia que tu não tinha ideia de quem é! Estranhei esse jeito formal de falar comigo!

É, é verdade, nossa amizade de 11 anos não permitiria qualquer tipo de formalidade. Há alguns meses não nos víamos, e naquele dia, ela me chamava para irmos a praia comer carangueijo acompanhadas de mais uma grande amiga da mesma época, Juliana.

Fomos à combinada praia e, conversamos, brincamos e Mirza  informou que gostaria que soubéssemos que íamos "perdê-la" para o matrimônio. Mesmo gostando bastante de Fabrício, o noivo que deu o ar de sua graça entre um choop e outro, não acreditei quando ouvi aquilo. Imediatamente como um flash diante de meus olhos, voltei 11 anos no tempo. Exatamente para a sala de aula da escola CEI, no interior do Maranhão, na pacata e aconchegante cidade de Presidente Dutra, onde estudamos juntas todas as séries do Ensino Fundamental, época em que o compromisso mais sério que era a temida prova de História e o debate de Análise Sintática nas aulas de Português. Lembrei-me de que durante a fase de namoricos, paqueras e beijinhos, inventamos uma brincadeira só nossa, que se chamava efeito dominó. Ela significava que, quando uma de nós desse o primeiro beijo, todas as outras amigas beijariam, uma seguida da outra, como em um efeito dominó. Era divertidíssimo ficar aguardando a próxima pedra cair, mais ainda era descobrir as pedrinhas fujonas que já haviam beijado há muito tempo e escondiam. Nossa cumplicidade com relação aos infinitos e e sofridos assuntos do coração era gigante. Minha observação exatamente relacionada a esse assunto é pelo fato de que a uma década atrás sofríamos como atrizes de novela mexicana por "amores"          ( infinitas aspas) que julgávamos únicos. Seguimos nossas vidas usando estes tipos de barreiras           ( barreiras  porque tudo é uma muralha para quem têm apenas 13 anos) como tijolos para construir , neste caso, um muro de seleções. Hoje, com a experiência que não tinha há alguns anos, afirmo que nenhum dos falsos príncipes teria condição suficiente para ser eterno. E ontem o que seria motivo de lágrimas e porres sem motivo, é engraçado e chega até a ser constrangedor. 
Voltei então do meu flashback e me vi sentada naquela mesa ouvindo e dando palpites  sobre cerimônia, buquê e vestido. Imaginei, que a  velha brincadeira do dominó se encaixaria naquele momento. É certo que depois do casamento de Mirza, quem pegar o buquê provavelmente será a próxima pedra do dominó a cair. Aguardem, pois diferente das confusões da época de adolescente essa disputa sim, promete cenas inesquecíveis!