sábado, 4 de dezembro de 2010
Amizade se escreve com R
Quem me conhece , pouco ou muito, sabe que dês dos 2 anos tenho muitas amigas, mas uma única melhor amiga. É mais nova que eu , porém isso nunca impediu que fossemos companheiras. Brincávamos juntas todos os dias da semana e à partir de sexta usávamos biquine para não ter o trabalho de voltar pra casa, caso tivéssemos vontade de nadar um pouco. Íamos ao sítio dela, ás vezes compartilhavamos com as outras meninas, outras vezes eu exigia que estivéssemos sozinhas. Sempre tive ciúme. Ciúme "indisfarçado" e que é, até hoje, o único motivo de alguma possível desavença entre nós. Nunca me acostumei com a ideia de que além de minha melhor amiga, ela é melhor amiga de muitas outras pessoas. Sempre fomos confidentes. Lembro-me que da primeira menstruação, passando pelo primeiro beijo até "outras muitas primeiras vezes", estávamos juntas compartilhando todas as novidades difíceis a cada época. O primeiro dia em que ela me fez chorar foi o dia em que foi morar em Teresina e me deixou em Presidente Dutra. Foi necessário nossos pais cortarem o telefone pois a conta era exorbitante, o dinheiro era gasto em cartões telefônicos , e-mails trocados desesperadamente aliviavam a saudade até a chegada de um fim de semana que eu ia visitá-la ou quando ela vinha até mim: ainda de farda, pois tinha saído apressada da escola e entrado na Van, afinal ela não poderia se atrasar para a programação feita a meses atrás. A segunda vez que chorei de tristeza por ela ( porque de alegria já choramos muito) foi no dia 28 de Novembro de 2010. Estava tomando café-da-manhã e um grande amigo me telefonou dizendo que minha amiga havia sofrido um acidente. Senti imediatamente o chão sumir debaixo dos meus pés. Corri para o hospital sem ainda saber a gravidade de tudo o que havia acontecido, ao chegar lá encontrei a mãe dela, minha Tia de coração, aos prantos e muito nervosa: Minha melhor amiga estava em estado grave, perdera muito sangue e havia fraturas e lesões em muitas partes do corpo. Um misto de lembrança e medo passou por minha cabeça em imaginar o não tê-la mais comigo, chorei e implorei a Deus que a salvasse e desse a oportunidade a todos que a amam de tê-la de volta como sempre foi, exemplo de amizade, caráter e alegria. Conversei com a minha Nossa Senhora e pedi que intercedesse junto ao Pai, pelo sofrimento da mãe dela. Sete dias se passaram , e com eles horas intermináveis na sala de espera daquele hospital e noites mal dormidas na espera de alguma reação, hoje ganhei o maior presente da minha vida. Eu a vi abrir os olhos! Cheguei próximo , disse que a amo e que tudo vai ficar bem! Respirei fundo ao ter a certeza de que o pesadelo estava quase acabando. Ela sorriu, eu tive medo de que ela fosse embora e ela sorriu para mim! O sorriso foi um calmante ao meu coração , pela Fé de que tudo vai ficar bem e por saber que há 20 anos na minha vida amizade se escreve com R, R de Roberta.
Em especial á Tia Elisete, Tio Adriel, Alexandre, Renata, Victor Hugo, Pethy, Roberto, Aracelle, Kamila, Manuela, Olga, Natasha , Karla e Alynne . Pela dedicação intensa a ter nossa Roberta bem outra vez.

